Saúde

Contagem inicia método Wolbachia de combate à dengue

Com o objetivo de reduzir a transmissão da dengue e de outras arboviroses, Contagem iniciou a implementação do método Wolbachia. A estratégia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no organismo do mosquito, contribuindo para a redução da transmissão dessas doenças.

Na última semana, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu representantes do Ministério da Saúde/Fiocruz e da empresa Wolbito do Brasil. O encontro contou ainda com a participação de agentes de combate às endemias (supervisores de campo), serviço de biologia, médicos-veterinários da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) e outros profissionais envolvidos no desenvolvimento da ação.

Contagem foi um dos municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para implementar a metodologia. Nesta etapa inicial, o projeto reuniu diferentes setores para compartilhamento de informações sobre o trabalho conjunto, alinhamento das ações, esclarecimento de dúvidas e definição do cronograma das atividades.

“Contagem é um município fértil para receber essa inovação. A implantação do método Wolbachia representa uma grande oportunidade de avançarmos no enfrentamento da dengue de forma diferente e mais eficiente. A última epidemia mostrou o quanto precisamos buscar novas estratégias e fortalecer ações integradas entre vigilância, assistência e toda a rede de saúde”, afirma a secretária de Saúde, Taciana Malheiros.

“Nosso desafio agora é promover o engajamento das equipes e da população, com uma comunicação clara e assertiva, envolvendo agentes de saúde, atenção básica e todos os trabalhadores da rede. Temos equipes muito comprometidas e preparadas, tenho certeza de que esse será um projeto de grande sucesso para Contagem.”
Secretária Municipal de Saúde, Taciana Malheiros

Etapas 

As liberações dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia só ocorrem após um processo de comunicação e mobilização social, com o objetivo de informar a população sobre o método, seus benefícios e a segurança da estratégia. Além da realização de uma pesquisa junto aos moradores para identificar o nível de conhecimento e percepção da população sobre a iniciativa. O processo de implementação do método tem duração de aproximadamente seis meses.

A expectativa é envolver a comunidade escolar, atenção primária em saúde e desenvolvimento social, incluindo CRAS e CREAS, para iniciar a atividade. Dessa forma, um mapeamento para definição das áreas contempladas está sendo realizado.

Paralelamente, será estruturado um espaço para a instalação de um insetário especializado, destinado à criação e produção em larga escala de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia.

De acordo com a subsecretária de Vigilância em Saúde, Rejane Letro, a previsão é que a liberação dos mosquitos tenha início em setembro. “Após essa etapa, serão realizados monitoramentos quinzenais e mensais para acompanhamento e avaliação dos resultados”.

Método Wolbachia

 
O método consiste na liberação no ambiente de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais.
Fotos: Divulgação Wolbito do Brasil

 

A Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 50% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente nestes mosquitos, ela impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças.

Desta forma, o método Wolbachia consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia no ambiente para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais e possam gerar uma nova população destes mosquitos, com o microorganismo. Os Wolbitos, como são chamados, não são transgênicos e não transmitem doenças. Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que se permaneça alta sem a necessidade de novas liberações.

“Vale ressaltar que essa é uma medida complementar. O poder público e a população devem continuar fazendo todas as ações para o controle da dengue, zika e chikungunya”, conclui Letro.

Fonte: SECOM/PMC

Foto: Fábio Silva / PMC