Saúde

Climatério e menopausa: Grupo interativo do SUS oferece acolhimento

Ondas de calor, suores noturnos, insônia, fadiga, ansiedade, alterações de humor e ganho de peso estão entre os sintomas mais recorrentes relatados por mulheres durante a menopausa e o climatério. Embora sejam experiências comuns, muitas mulheres ainda enfrentam esse período em silêncio, sem acolhimento adequado ou informações suficientes sobre as mudanças físicas e emocionais provocadas pela nova fase da vida.

Climatério é a fase de transição em que a mulher deixa o período fértil e passa para o não fértil, geralmente entre os 40 e 65 anos. Já a menopausa é um marco dentro desse processo, correspondente à última menstruação da vida, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento.

Vânia Maria passou recentemente por esse processo e conta que se sentiu sozinha diante das transformações vivenciadas. “Eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Sentia muitas mudanças no meu corpo, no meu humor e até na minha disposição. Em vários momentos achei que era apenas cansaço ou estresse. Foi um período difícil, principalmente pela falta de orientação”, relata.

Grupo Interativo

A experiência de Vânia, no entanto, está longe de ser única. Pensando na necessidade de acolhimento, escuta e orientação para mulheres que vivenciam o climatério, profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) Amazonas criaram o grupo “Metamorfose”. A iniciativa busca oferecer acolhimento, informação qualificada e fortalecimento emocional, assistência estruturada e humanizada, promovendo mais compreensão sobre essa fase da vida e reduzindo o sofrimento frequentemente causado pelo silêncio, pela desinformação e pela banalização das queixas femininas.

A médica da Estratégia Saúde da Família, Fernanda Gonçalves de Castro, explica que a criação do grupo surgiu a partir da grande demanda observada nos atendimentos da unidade. “É muito frequente recebermos mulheres cansadas, emocionalmente sobrecarregadas e, muitas vezes, sem compreender que os sintomas físicos e emocionais que estão vivendo podem estar relacionados ao climatério. Percebemos que ainda existe muito silêncio, tabu e desinformação em torno dessa fase da vida feminina”, destaca.

Segundo a profissional, além dos impactos físicos, o climatério também pode afetar diretamente a autoestima, os relacionamentos e a saúde mental das mulheres. Por isso, o grupo foi pensado como um espaço seguro de escuta, acolhimento e fortalecimento coletivo, onde elas possam compartilhar vivências, esclarecer dúvidas e compreender que não estão sozinhas nesse processo. “Diferentemente de outras etapas da saúde da mulher, como gestação, puerpério e maternidade, amplamente discutidas socialmente, a menopausa ainda é vivida, em muitos casos, de forma solitária. Diante deste cenário, percebemos a necessidade de criar um espaço de acolhimento, escuta e informação cientificamente embasada, onde as mulheres possam compreender melhor o próprio corpo, compartilhar experiências”.

Além disso, o grupo busca incentivar o autocuidado e retirar a mulher do lugar daquela que “dá conta de tudo”, priorizando sempre o cuidado com os outros em detrimento de si mesma. A iniciativa promove uma abordagem integral à saúde da mulher no climatério e na menopausa, por meio de ações de psicoeducação, fortalecimento da autoestima, estímulo à autonomia emocional, incentivo ao protagonismo feminino e ampliação do debate sobre políticas públicas voltadas à saúde da mulher.

“Na Atenção Primária, temos a possibilidade de acompanhar essa mulher ao longo do tempo, compreendendo também o contexto em que ela vive: a sobrecarga da rotina, o cuidado com filhos e familiares, as demandas do trabalho, as relações afetivas, a saúde mental e os impactos sociais que atravessam essa fase da vida”, explica.

Ela afirma ainda que oferecer um cuidado integral significa combater a banalização das queixas femininas e garantir acesso à informação cientificamente embasada, permitindo que cada mulher participe das decisões sobre a própria saúde de forma consciente e compartilhada. “Na Medicina de Família e Comunidade, não enxergamos apenas sintomas isolados ou órgãos específicos. Enxergamos pessoas inseridas em famílias, relações, territórios e realidades sociais”.

Conduzido pela médica de família e comunidade da UBS, o grupo Metamorfose é construído dentro da lógica multiprofissional da Atenção Primária à Saúde, valorizando o trabalho em equipe e o cuidado integral às mulheres. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) atuam no fortalecimento do vínculo com a comunidade e na identificação de mulheres que necessitam de acolhimento, enquanto os técnicos de enfermagem contribuem no cuidado contínuo e na organização das atividades. Além disso, o projeto possui potencial para integrar profissionais como enfermeiros, psicólogos e nutricionistas, ampliando o suporte oferecido às participantes de forma humanizada e integral.

Apoio 

Durante a reunião do grupo na última semana, as participantes tiveram a oportunidade de trocar experiências, compartilhar vivências e esclarecer dúvidas sobre as transformações físicas e emocionais que acompanham o climatério e a menopausa. Um dos temas mais discutidos foi a necessidade de ampliar o preparo dos profissionais de saúde para acolher e acompanhar mulheres nessa fase da vida de forma humanizada, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos emocionais, sociais e psicológicos desse período.

As participantes também buscaram informações sobre as possibilidades terapêuticas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo acompanhamento multiprofissional, apoio psicológico, orientações sobre qualidade de vida e tratamentos voltados ao alívio dos sintomas. O momento contribuiu para fortalecer a autonomia feminina, ampliar o acesso à informação qualificada e promover um espaço de escuta, acolhimento e identificação entre as participantes.

“Do ponto de vista da Medicina de Família e Comunidade e da Atenção Primária, esses espaços coletivos também fortalecem a autonomia, educação em saúde e construção compartilhada do cuidado. O grupo deixa de ser apenas um lugar de orientação técnica e passa a funcionar como uma rede de apoio, empoderamento e transformação feminina”, salienta Fernanda.

Embora o grupo Metamorfose ainda esteja no início, de acordo com a profissional, já foi possível perceber mudanças significativas entre as participantes e os profissionais envolvidos. Entre as mulheres, destacou-se o reconhecimento de que muitos sintomas e sentimentos fazem parte do climatério e da menopausa, além do fortalecimento do autocuidado, da busca por informação e da autonomia sobre a própria saúde.

Para Fernanda, o projeto também promoveu impactos positivos dentro da equipe da UBS, fortalecendo vínculos entre os profissionais e ampliando a construção de um cuidado mais humanizado e acolhedor. “Mesmo em sua fase inicial, o grupo já demonstra potencial para promover pertencimento, apoio mútuo e transformação social na Atenção Primária à Saúde”, conclui.

Serviço

O próximo encontro acontecerá no dia 10 de junho, a partir das 13h, no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, que fica localizado ao lado da UBS Amazonas (Rua Marquês do Paraná, 95 – Industrial). Para participar procure a UBS de referência.

Fonte: SECOM/PMC